domingo, 29 de maio de 2011

As palavras estão gastas

            As palavras ruíram de um tecto perpetuado nas ranhuras frágeis e destemidas.
            Se assim o é, porque dificilmente sentimos a chuva cair sobre esse tecto, deixando-nos emergir na sua inverosímil capacidade de transmissão aberta, transmissão clemente, soberba e heróica?
             A saudade dessa água límpida corre sobre o teu rosto, sujando, sim, sujando-o com toda a rapidez, desfrisando o cabelo ondulado como o rio, retirando o rímel que é a dita tintura da vida, permanente, etc. Calculamos que a simplicidade da água sinonimiza as palavras, as tuas, tão puras, encaminhadoras de verdade singela. Elas são o significado atmosférico de que a sua destruição não é plausivelmente capaz, brutamente o diz, brutamente o faz.
            O arco-íris: camaleão sem fingimentos, nada receoso do seu resultado. Sucede-lhe, cambaleando, a curva da vida. E tu vida, porque não te atiras de cabeça à acontecida rotina?

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            As palavras não encontram resposta; o céu não destrói punhos fortes, inalcançáveis e a terra continuamente harmoniosa e nua do afirmado pudico, estão ausentes da proveniência de sentido duplo, aliás, um único sentido, o que pretendes e nunca lá chegas. Sossega-te mulher, o rumo ousado de sentir ampliando ao impossível, será possível, em sonhos doirados, recheados, ricos, dotados de amor.

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