domingo, 22 de maio de 2011

Um todo inteligível

Vida portuguesa, ansiosa pela arte minimizada em amor – glorioso, dominado pelo sangue comum, duradouro, 
disperso num sopro proibido.
            Pedaços rabiscados no horizonte, por um coração regido indignadamente; fortificado pela sinceridade contraditória e por uma grandiosa intensidade, definida revoltadamente através da conceituada transmissão sentimental… Esta (a ânsia), alcança na exactidão de versos viris, adaptados pela paixão, criação da veneração em loucura; a condenação causada pela angústia de um resultado negativo. É o sentimento por excelência, construído consoante a dominação oposta ao abandono; arriscado em complementação marginal, reflectida num calculismo perigoso de entranhas, ameaçadas e desnorteadas de desejo sem prazer, de amor sem ambição.
            Finjo não recordar o toque da hipocrisia, do corpo voltado á verdade, da repugnante e vampírica telepatia, lembrada como insignificante, característica propícia dos fracassados, que utilizam a voz como instrumento de fraqueza feminina.
            Decapito o segundo, no qual observei o vazio, tu, a destruição apagada de sentido suculento, afogado na alma divinizada pela temperatura horrenda da efemeridade.
            Finalmente nasce a severidade selvagem, enriquecida de perspicácia e escolhida por momentos delineados de magia viva, florescida e sorridente. E, o nada, descoberto num início de colorido lacrimejo, com a perpetuidade das gotas sangrentas, atiçadas e combinadas com traços fogosos, apunhalados pelo teu declamar horizontal, em meu nome.

            (Sinto-me uma actriz espelhada noutras imensas, refeita em máscaras laminais.
                                    Liberta de terror anoitecido, sem amor ao teu ego.)

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