terça-feira, 24 de maio de 2011

Mancha Nebulosa

            Recordar-me-ei no dito diário, as sensações, preenchidas pelo cruzamento e pela união de corpos distorcidos, os nossos, que se voltam para que atinge-mos os olhares perplexos, finalizadores de uma relação que mistura o notar da presença com a percepção do facto de sermos especiais um para o outro. Admiro-nos num conjunto encantado e valorizado, simulado numa evolução esbanjadora, de um amor que substitui o impossível pelo inacreditável, apesar dos desentendimentos, dos ciúmes, da confiança quebrada por meio de erros cometidos involuntariamente (ditos involuntários).
            Subscrevo então que,  sem receio, qualquer pudor ou medo problemáticos, que jamais hesitarei que a brevidade do nosso ser seja colocado em risco. Prejudicada, tardiamente me recordarei do nosso olor único, e, fechando repentina e esfalfadamente os olhos, imagino desertos cobertos pela tua imagem, somente por ela.
            Agradeço ás ondas, a intensidade das promessas minhas, das palavras de amor, tão inexplicáveis, tão robustas e tão cor magenta.
            …
            …
            …
            Tempos, aqueles, em que após a minha crença no sentimento surge, imagino-me deitada sobre o teu abdómen, não me conseguindo abster do calor rasurado, esfregando a saudade na tua pele límpida. Humedeço os lábios mútuos, quentes, provocatórios, puxo-te contra o meu peito repleto de possessão, respiro forte ao teu ouvido e enfurecida grito por não te ter. Reduzo o olhar e apenas sinto, não um sentir menosprezado, por me envolver nos teus braços, por suspirar de alívio. Carinhosamente t’envio o meu sorriso, ergo o rosto e assimilo-te a minha mente pecaminosa. De imediato, entrego-me a ti, venerando que o que sinto de momento, jamais termine.

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