domingo, 23 de setembro de 2012

Pendão da Esperança

O teu colo, bandeja formigante do meu desejo,

Um cafuné leve, apertado; um recíproco beijo.
Teu abraço me saúda em fogo – brasa,
Um vício atiçado pelo silêncio esparsa.

Vem madrugada! Entrega-mo no deserto,
Num esconde – esconde, saudade em perto.
Viajo, deitada sobre as plumas violeta
E não me canso de chilrear a recruta

Que é manter-me fiel à sola da verdade,
Artimanhas confusionadas entre a puberdade
E a velhice: o pico das sombras, insegurança
Acordada nos teus ombros, posição esperança.

O medo me engana a alma
Um tanto ou quanto calma,
Entregue à sonolência movida
Pela coragem nula em preponderância acrescida.

Entre sonhos: Bom dia pela manhã amena,
Um entrelaçar dos dedos esbranquiçados,
Um mero carinho atordoado, cabelos doirados,
Esvoaçados pela apelidada Paixão numa cama perlenda.

Mordo os lençóis meus… cheiro a prazer contido,
Odor magoado; poeiras cinzentas, afastadas
Dos sussurros, provocações senatórias, ruína do regido
Procrio do Amor! Libertam-me as encantadas braçadas

De te enrolar, pele estridente, um abraço caliente,
De te pasmar os olhos quentes, cor Terra,
Sob o meu brilho no olhar, prudente,
Magicando um futuro promissor, cratera

Que me assegura do mergulho em vão,
Ou não; o purpúreo gelado, flutuando
No pensamento enlouquecido
De flechar-te os lábios. Ouço um zumbido…
Apaga a voz. Não digas nada.
Eu Amo-te!

sexta-feira, 7 de setembro de 2012

Assombro

De braços voltados à felicidade

Aqui me encontro, de partida
Aos infernos que escarnam tal ida,
Encontro diabólico com a veracidade.

E s’ eu escondesse na minha armadura,
Esta mágoa entreaberta de não te ter?
Acender-te-ia uma dança cantarolante,
Magia fluente em corpos, um dia, destruídos.

Arranco veloz no sentido invertido
Da tua luz plásmica, e em dentadas
Sangrentas, te elimino da crueza raquítica
De jamais dominar o brilho das profundezas.

Latim vozeado, mandarim arqueado,
Um sol mais ou menos perturbado
Na volta sucessiva dos dias quentes e sofridos,
Nas juras em crer, uma proeza incontrolável.

Alguém como eu



            Agoira-me!... Esta tépida diabrura, sócia das portas da morte.
            Aqui estois, um pecado inatingível, embriagado pela vontade, que se perde nos intervalos intercalados entre sorrisos esgotados, covinhas de expressão forçadas. Ai! Quem fosse perfeito, se a perfeição assim o aceitasse. Só assim me comunicaria com o ninguém – além, boneco comandado pelas decisões alheias. Interrogo-me, enlouqueço, de pernas pró ar, sem dó nem piedade, destruo-me a cada instante, conto os segundos, vagueando na sua plenitude sóbria, embora nada construa. Sou uma mera disposição falhada, sentada nas rochas do medo, à espera que a felicidade me acompanhe – ela não me deseja, respira ódio, fogosidade acesa nos abismos das decisões. Ai! Se eu soubesse o quão mexidas são as pedras que nos manuseiam. Nada mudaria e permaneceria numa corrida cinematográfica, um pouco venenosa, implorando por magia contínua. Contínua pois, agarrada nos ferros da vida, lomba curvilínea, um pouco escura, sombria portanto, detentora de pequenas borboletas, a cor única do espaço, a minha esperança ao fim da rua…
            … Torno-me diferente da minha geração rematada, não, não me enquadro na sua nebulosidade: a brevidade densa, a predominância da falta de carácter, os projetos ausentes, a queda drogada, as manchas remexidas, as bolas famintas por desejo. Que proeminência esta? A perda de valores sossegados, heroicos, referências que afetam os alvos humanos, limitando-os ao estalar dos dedos finais, a cada toque-toque intencional, a cada piscar dos olhos fogo-brilhante.