segunda-feira, 31 de outubro de 2011

Contános o día máis feliz da túa vida


          O día máis feliz da miña vida foi sen dúbida, estar na mesa co Poeta de honra, do País máis extraordinario do Século XX, Fernando Pessoa, o home das letras por excelencia.
Entre palabras sen cerimonia, apoiadas sobre a mesa, lía algúns dos seus poemas, agradables á vista. Deixáronme estupefacta e sorprendida con tanta escrita asociada á perfección, facendo-nos desdobrar noutras personaxes, así como, sentir todo de todos os xeitos, dramático na súa complexidade. Case non vía onde miraba, se para min, o para o enigma que pretendía a cada día descifrar. De certo, non poderá, porque a escuridade está preta, e a dificultade de manter os nosos soños é complicada. Agradaba-me aquela dimensión astroloxía, que nos facía recuar ou elevar o tempo, aquel saber extremo sen noción de límite e sen contratempos. Era el mesmo, e alí estaba eu a delirar co a súa presenza, no auxe da imaxinación, no florecer, no camiño e na ambición da escrita. Si, porque escoitar o Rei de experiencia, é crecer na área que o rodea. Sentí algo tráxico nas súas palabras, heroicidade no modo de ver o mundo.
            Sendo así, aínda hoxe, presencio ese momento como único e ficcional. A miña mente abriuse á imaxinación e tentou integrar-se nun momento de gloria co ortónimo. Como sería eu capaz de me envolver con el nun momento de interrogación rectórica, senón nun soño? Inexplicable, é un feito, pero non lamento. Soñei acordada e foi asombroso sentir un nerviosismo estupefacto nas miñas entrañas, ao notar a capacidade intelectual do autor. Non me condenen por tentar, inconscientemente, achegar-me, ao que para min é o significado máis relevante de estar viva e continuar neste mundo sen sentido, sen dó nin piedade. Entre sorrisos de boca aberta, de corazón sentido, así me sentí co a universalidade do Fernando Pessoa, marcada polo modernismo,  característico do seu tempo. Ben, non teño alento para describir tal situación, esta miña fuxida na mente, rodeada de libros cultos, do Señor da palabra e do libre, pero quero-me debruzar sobre tal tema porque me causou os minutos máxicos, aínda que fosen finxidos.
            Alguén entenderá este meu sentimento interior, conflitivo entre si, manuseado entre ser ou non ser, sentir ou non a capacidade de liberar pensamentos relacionados co a personaxe titulada de Fernando Pessoa na súa magnitude? Eu diría que non é doado entender este amor platónico por un home que marcou unha xeración replecta de 'dor de pensar', agonía de vivir, confusión asociada ao non saber definirse. Valorizo ​​con gran determinación o seu heterónimo Álvaro de Campos', chegando ata a afirmar que é a escrita máis brillante de toda unha vida. Por suposto, non me podo esquecer do dinamismo de António Lobo Antunes, con quen me identifico, do Nietzche, Mário de Sá Carneiro, Arthur Schopenhauer, Baudelaire, entre outros. A pesar deste separador, sigo a dar a maior sensibilidade ao ortónimo, por quen teño unha paixoneta, nada secreta, pola escrita no seu máximo. Esta paixón estrondonsa iniciouse á dez anos, na miña adolescencia revoltante, e sobre todo libre de prexuízos e conceptos. Esta son eu, cun pasado que define o ser en que me fixen hoxe. Un hoxe que é nada máis, nada menos, que a pobreza mental da poboación, que non lle importa co a cultura, co a lectura, co a esperteza e co a intelixencia, ambas ambivalentes e fortes para determinar o desenvolvemento e o florecer da imaxinación que xorde desde a infancia con pequenas falas, con pequenas aprendizaxes.

domingo, 16 de outubro de 2011

Comer e Morrer de Fome

            Que loucura estonteante esta!... Sabor anulado entre muitos e abismado, que com tanta ignorância e egoísmo no seu auge, deixem passar paralelamente a secura das línguas brancas, quase esmorecidas.
            Oh seus donos da infantilidade e da desocupação de acontecimentos livres, a manifestação de caridade e verdade perante actos de frio arrepiante em becos sem saída, encapotava calor nos corações sem esperança de salvação…uma pequena doação de afecto, de sobriedade seria menos desolador para quem está prestes a alcançar o caixão mortífero, vazio de nada e ninguém, patético de tão falhado em si mesmo.
            Gente minha, acompanhem de perto as tentativas entre arbustos escondidos, destes velhos caídos, sem reputação, repletos de tenra ideia do que é viver, sentir e ter. Vá, sem ideia alguma, coloquem-lhes defeitos, riam-se às gargalhadas fortes e deploráveis, passem minutos preciosos a cozer na casaca dos nossos amigos ‘sem abrigo’, que tanto nos fazem lamentar a realidade nada invejável da situação a que estamos obrigados, à fama eloquente, inacreditável e que sucessivamente arderá em poucos segundos.
            Queridos leitores, ou tentativa de, a violência verbal perante os seres que arruínam as ruas negras da nossa Cidade, é lamentável, grave e, portanto, fracassada, visto que, sem surpresas risonhas na cara, tentam um suspiro a cada instante. Não vulgarizem a instabilidade que já persiste e tende a ficar, humilhem-se a vós mesmos, olhem no espelho o pódio da virtude lá trás no vagueado fundo, afastado…miniatura de gente.
            Sorriam, sim, maleficamente, como recordação, porque brevemente arranco-vos o colarinho, mesmo o mais sólido, engravatado, bem vestido, com entranhas fundas de perversidade banalizada pelo horror humano.
            Arregale-me esses olhos, povo sádico, não seja mesquinho com os aspectos alheios, lisonja a vossa possessão com dignidade influente. Diga de ‘boca cheia’ palavras longe do conceito abrupto e rude de hipocrisia. Dê ao próximo a nudez de sentidos, um pacote de leite, umas migalhas de pão, uma fruta, que embora com os balanços e as travancas da vida, ali chegou.

Resgata (me)

- Tu’ ingratidão macadamiza os atos meus,
Dobrando os membros, desfalecendo sobre tijolos
Podres de amargura, sóbrios, como os seus.
Dai-me ao abstrato, cacos, sujidade, miolos…

Tinto, solução do arrependimento cruzado,  
Uma gota de veneno, fuga em projeto:
Delineia-me cor aos olhos cerrados,
Planifica-me um majestoso tom negro…

…negro já o é, e anseio voltar à “explosividade”
Das emoções, que choram retamente a viscosa,
Espampanante, onda de amor; exclusividade
De quem devastada, escuta sussurradamente a lágrima d’ uma rosa.

Claustrofóbica, sois tua, nua. Formosa contigo.
E, furtivamente me prendi ao ponto de abrigo,
Tal o é, que de entre batalhas,
Venci com distinção incerta, as agarradas encruzilhadas.

quarta-feira, 5 de outubro de 2011

Verbalizar a verdade, mentindo no saber

            Palavras, a quanto obrigam? A algo interdito, exposto ao tempo nublado, a um ventre preso às trágicas saudades, perdidas, incompletas, numa complexidade humana, versátil até. Apagada me sinto entre páginas em branco, tingidas por alvejarias e rivalidades! Se assim o é, descrevo os rodeios como insensatos, distantes, fingidos, que por vezes até doem, matam, colam os pulmões às costas, e mesmo assim com força de lutar e permanecer erguidos sobre a fonte de glórias, cantorias, extremas maiorias.
            Deito-me! Fecho os olhos. Irracional –  este é o meu alvo, daí a minha visão periférica do mundo e dos sentidos analógicos. Arco-íris da imaginação, visualizo a minha demanda divagada por muitos, rasgada por uns quantos, pretendida por todos – uma gente ruidosa, duvidosa, digo eu. Eles são pesadelos no ar, sanguessugas patéticos. Não amam, não sabem encantar telepatias! São frustrados ressentidos, suspirando, com tendência a agarrar com unhas e dentes a capacidade ardente da vida espaçosa, que abrange o olho mortífero (castanho) mas jamais se torna apoderada por ele.
            E, por isto, soa-me obscura toda essa realidade que não o é, mas virá a ser. Pode ser! Não sei… Não ouço a dita vozinha que teme a verdade, mas mesmo assim a pronuncia. Então? Não sou digna do perdão, da alusão sem punição?... Consciência arbitrária, tranquila, renovada, cor mel, pegajosa, de união entre seres irreais, frios, cruéis, de asas abertas à alma do Deus?...
            Venenosas respostas se erguerão na minha testa, magoando a minha fragilidade. Enraivecida, antepus-me à fúria negra da minha cabeça bipolar, confusa, repleta de ventosas escuras, sombrias, assustadas com o final do universo, amedrontado com  a fome que beija a sede.
            Enfureço-me com este desaparecimento de paz, com a ausência de sorrisos, de comida, mesmo que numa mesa pequena, suja de miolos, sem o encantamento da hora da refeição entre família, que deveria apoiar-se entre si. Frustrada com isto e aquilo, cinza-escuro continuo… Não me deixes clareza amena mas afirmada. Torturas-me, mostrando a verdade, mas aniquilas a vontade de ver o não visto.
            Assim sou, como quero, como estou.