domingo, 16 de outubro de 2011

Comer e Morrer de Fome

            Que loucura estonteante esta!... Sabor anulado entre muitos e abismado, que com tanta ignorância e egoísmo no seu auge, deixem passar paralelamente a secura das línguas brancas, quase esmorecidas.
            Oh seus donos da infantilidade e da desocupação de acontecimentos livres, a manifestação de caridade e verdade perante actos de frio arrepiante em becos sem saída, encapotava calor nos corações sem esperança de salvação…uma pequena doação de afecto, de sobriedade seria menos desolador para quem está prestes a alcançar o caixão mortífero, vazio de nada e ninguém, patético de tão falhado em si mesmo.
            Gente minha, acompanhem de perto as tentativas entre arbustos escondidos, destes velhos caídos, sem reputação, repletos de tenra ideia do que é viver, sentir e ter. Vá, sem ideia alguma, coloquem-lhes defeitos, riam-se às gargalhadas fortes e deploráveis, passem minutos preciosos a cozer na casaca dos nossos amigos ‘sem abrigo’, que tanto nos fazem lamentar a realidade nada invejável da situação a que estamos obrigados, à fama eloquente, inacreditável e que sucessivamente arderá em poucos segundos.
            Queridos leitores, ou tentativa de, a violência verbal perante os seres que arruínam as ruas negras da nossa Cidade, é lamentável, grave e, portanto, fracassada, visto que, sem surpresas risonhas na cara, tentam um suspiro a cada instante. Não vulgarizem a instabilidade que já persiste e tende a ficar, humilhem-se a vós mesmos, olhem no espelho o pódio da virtude lá trás no vagueado fundo, afastado…miniatura de gente.
            Sorriam, sim, maleficamente, como recordação, porque brevemente arranco-vos o colarinho, mesmo o mais sólido, engravatado, bem vestido, com entranhas fundas de perversidade banalizada pelo horror humano.
            Arregale-me esses olhos, povo sádico, não seja mesquinho com os aspectos alheios, lisonja a vossa possessão com dignidade influente. Diga de ‘boca cheia’ palavras longe do conceito abrupto e rude de hipocrisia. Dê ao próximo a nudez de sentidos, um pacote de leite, umas migalhas de pão, uma fruta, que embora com os balanços e as travancas da vida, ali chegou.

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