Deito-me! Fecho os olhos. Irracional – este é o meu alvo, daí a minha visão periférica do mundo e dos sentidos analógicos. Arco-íris da imaginação, visualizo a minha demanda divagada por muitos, rasgada por uns quantos, pretendida por todos – uma gente ruidosa, duvidosa, digo eu. Eles são pesadelos no ar, sanguessugas patéticos. Não amam, não sabem encantar telepatias! São frustrados ressentidos, suspirando, com tendência a agarrar com unhas e dentes a capacidade ardente da vida espaçosa, que abrange o olho mortífero (castanho) mas jamais se torna apoderada por ele.
E, por isto, soa-me obscura toda essa realidade que não o é, mas virá a ser. Pode ser! Não sei… Não ouço a dita vozinha que teme a verdade, mas mesmo assim a pronuncia. Então? Não sou digna do perdão, da alusão sem punição?... Consciência arbitrária, tranquila, renovada, cor mel, pegajosa, de união entre seres irreais, frios, cruéis, de asas abertas à alma do Deus?...
Venenosas respostas se erguerão na minha testa, magoando a minha fragilidade. Enraivecida, antepus-me à fúria negra da minha cabeça bipolar, confusa, repleta de ventosas escuras, sombrias, assustadas com o final do universo, amedrontado com a fome que beija a sede.
Enfureço-me com este desaparecimento de paz, com a ausência de sorrisos, de comida, mesmo que numa mesa pequena, suja de miolos, sem o encantamento da hora da refeição entre família, que deveria apoiar-se entre si. Frustrada com isto e aquilo, cinza-escuro continuo… Não me deixes clareza amena mas afirmada. Torturas-me, mostrando a verdade, mas aniquilas a vontade de ver o não visto.
Assim sou, como quero, como estou.
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