quarta-feira, 20 de junho de 2012

Luar Folheado

Que empobrecida, esta braveza,
Nobreza assanhada por tua crueza.
Aqui sois minha… frenesim picado
Por bichos, arrepios do amor opado.

Impetuosas, caem-me as membranas,
E encontras-me desgrenhada, sem pestanas,
Passando noites em claro, rugindo
Ventanias… antepassados quebradiços fugindo.

Oriento poses alcoólicas,
Olhares, doses proóticas,
Num anoitecer medíocre,
Clímax do sacrifício, despique.

A inutilidade tresandas,
Vagueis, andes ou subas
-me a doença. Precatas entranhas
Desenganadas, ser a quem encantas.

terça-feira, 19 de junho de 2012

Podridão Queixosa

Cegar-me-á, esta luta escassa/segura,
Que me impede de reviver
Passados revirados, uma história pura,
Meias- verdades, uma saída por perceber.

E ao tentar apagar, relembro
Que as entre – linhas pendenciam
Mágoas, projetos, membro
Adormecido, vivências que se antecipam.

Disfarço… sobe-me o coração à boca,
E não me cabe a mim o desenlance
Procurado no encarar, uma tal porquice,
Um envelhecer caquético, recordação oca.

Restam fotografias rasuradas,
Olhares fechados, histórias peruas,
Ondulações tristonhas e sanguessugas
À espreita, captando encruzilhadas.

segunda-feira, 18 de junho de 2012

Beco sem saída


Amedrontada, não te entregas,
Recusando o formato ambicioso
Do coração vermelho – cerejas,
Deste laço prisioneiro de si, em poço,

em fundo carregado de sorrisos
Que tremem capítulos, cisos
Reinados pela história de amor,
Um sucesso fugido, detido primor.

Quando abris, porta teimosa?
Não espereis minha morte ociosa,
Entrega-me antes que parta
Só, desacompanhada, num gemido qua farta.

Não correspondida, afogo-me em lamaçais,
Tremendas gruas. Tais sentenças finais
Solucionam a facada no peito,
Derrota ardida de um exímio beijo,

De quem jamais provei semelhante:
Um gosto azedo – indiferença,
Um pouco ácido – presença,
Inigualável com certeza
Com o trivial por excelência,
Excelso, e por aí diante.

Se eu não aromatizasse tal afabilidade,
Não te enchia de cifrões recheados
De amor, um calor sem pudor, agilidade
Oculta em dor contínua, tinhosos cuidados.

Somente por amor…

Sem paradeiro


Agredias um ser disfuncional!
Descaraterizada, não me autoafirmava,
E de mim fazias uma arma que amava
O controle, a obsessão conjugal.

Que desordem apaixonada,
Que tendência suicida e matadora.
Se te sentes nu, penas, nada,
Como me anseias tua predadora?

Caminho no roteiro pré-concebido,
Observando troncos fortes, uma frescura
Que me desampara sob nevoeiro tido
Chamuscado, uma nuvem raivosa, pura,

Em fértil evolução, e aparecem-me
Imagens, sombras que cegam a noção,
No entanto, tendo a querer-te, ó coração,
Cão raivoso, que doentio, repugna-me.

Continuo, passo a passo, num jogo de memórias
Loucas, jogando-me sobre a estrada.
Contorno as tuas mazelas rabiscadas,
Delirantes, que me aproximam d’outras vitórias,

Contrárias às latas, ferro velho e detrimento,
Uma sublime metáfora ao teu preenchimento
Irracional. Às-de me fazer arrepender,
Em honra do teu pedinte apodrecer.

Ai! Suspiro A reprodução ardente,
O olhar, inacabado, cor aguardente,
E, deixo atropelar-me pelo atrevimento,
Uma aversão pesada, agrura indefinida,
Dois rostos voltados, levados pelo cruzamento (…)

Saudade Sonhável


Letras presas nos lábios meus,
Atadas sem descurar.
Descuido, cuido, desse teu enxurdar
Remeloso, vulgar; desses medos teus.

Soledade, um sentimento abrupto,
Conseguidor de raiva audaz,
Uma mágoa espoliada, que trás
-me à espinha um nervoso corrupto.

Se eu pudesse, arrematava-me aos braços
Fininhos, esqueléticos, patéticos,
Que me disparavam no peito, laços
De aflição; tormentos poéticos.

E, se isso não fosse assaz,
Integras-te em meus sonhos,
Ossos por roer, uma angústia capaz
De não te deslembrar em pequenos fronhos…

…cama desfeita, suor, amor entregue.
Mordo os lençóis, preenchidos por prazer;
Agarro-te os ombros, puxo-te ‘pra mim, a fazer
Uma lembrança célebre engrandecer. Ela prossegue.

Prossegue este sempiterno amor,
Rasgão doloroso, um olhar primoroso.
E jamais abandonarei tal perpetuidade,
Mesmo com a tua ausência de objetividade.

sábado, 16 de junho de 2012

O travo da culpa


Choro impalpável, força de te ter.
Tentações alheias, culpando-te o ser.
Sentimentos maleáveis, facilmente destrutivos,
Sono de felicidade, deixando-me sofrer.

Espelhos partidos, janelas entreabertas
E um vento quebradiço, castiço,
Que me abraça as goelas, cobertas
De mágoa, um desgosto postiço.

Questões retóricas, saem-me por tempo
Indeterminado, e ficam-me apenas nós
No estômago, uma incapacidade, corpus
Desnudo, lacrimejando sem passatempo.

Pele enfuriada, é-te familiar?
Uma pedra sobre a calçada,
Um travor repulsado, cansada
Atinjo o pódio rematado pulmonar.

A reta final traçar-me-á um precipício
Vandalizado por diabruras conterrâneas,
Um delito ameaçado por apenas um cumplicio
Deserdado pelas desenroladas ondas de te amar.

segunda-feira, 11 de junho de 2012

Acasalamento


Alude-me música! Estás aqui e sinto-te encarnar
Uma sonoridade distante do findo, torneada
Por uma decadência mórbida, arrastada
Num som, abismo deformado e a arrobustar.

Sinto clarinetes, linhas finais, sinos,
Escapadelas ínfimas e sedutoras,
E quero-te tanto, em entregas múltiplas,
Num entrelaçar deslumbrado de corpos.

Ondula-te no meu peito, descendo robustamente,
Numa corrupta libertação de ansiedade.
Enche-me de desejo, tempera-me a suavidade
Minha. Atira o canibal que há em ti, carnalmente,

Sem qualquer pudor. Saliva atroz, feroz, -oz,
E chupa-me a sensação desigual, tão pouco amena.
Remexo por inteiro,  grito contra demónios. Que pena,
Incessantemente desabrocham calafrios.