domingo, 29 de maio de 2011

As palavras estão gastas

            As palavras ruíram de um tecto perpetuado nas ranhuras frágeis e destemidas.
            Se assim o é, porque dificilmente sentimos a chuva cair sobre esse tecto, deixando-nos emergir na sua inverosímil capacidade de transmissão aberta, transmissão clemente, soberba e heróica?
             A saudade dessa água límpida corre sobre o teu rosto, sujando, sim, sujando-o com toda a rapidez, desfrisando o cabelo ondulado como o rio, retirando o rímel que é a dita tintura da vida, permanente, etc. Calculamos que a simplicidade da água sinonimiza as palavras, as tuas, tão puras, encaminhadoras de verdade singela. Elas são o significado atmosférico de que a sua destruição não é plausivelmente capaz, brutamente o diz, brutamente o faz.
            O arco-íris: camaleão sem fingimentos, nada receoso do seu resultado. Sucede-lhe, cambaleando, a curva da vida. E tu vida, porque não te atiras de cabeça à acontecida rotina?

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            As palavras não encontram resposta; o céu não destrói punhos fortes, inalcançáveis e a terra continuamente harmoniosa e nua do afirmado pudico, estão ausentes da proveniência de sentido duplo, aliás, um único sentido, o que pretendes e nunca lá chegas. Sossega-te mulher, o rumo ousado de sentir ampliando ao impossível, será possível, em sonhos doirados, recheados, ricos, dotados de amor.

quinta-feira, 26 de maio de 2011

Não deixo, consigo, posso puder

            Sossegada me anteponho à política social, cratera vulcânica da injustiça, pela qual somos regidos, com a qual temos de funcionar como seres humanos de lábios trancados, acenando que sim a tudo o que de negativo nos colocam sobre os olhos… cerrando a possibilidade de cantarmos contra as hipocrisias em demasia. Estas são as barreiras político-sociais, manifestações eternas de rivalidades, do ser e não ser, do perceber ter até ver.
            ‘Camaradas’, aqui estou eu para a invulgaridade ambiciosa de mudança, de facas gritantes em quem nos atinge diariamente, levando ao suicídio mortal, à bonança da infelicidade.
            Esperança, agilizo-te perante a povoação diversa – os que por menos que façam, por nulidade dos seus feitos, permanecerão sempre nos salários mais risonhos; os que puxam de um lado, puxam do outro, até têm um salário minimamente recompensável, mas nunca conseguem (irão) a simpática magia de fazer o capital crescer; também, o chamado proletariado, que nada tem a não ser aquela ninharia ridícula de meia dúzia de centavos. Meus amigos, e se tentássemos fazer de um só, um povo unido, vencedor em todos os seus campos, os materiais, agindo contra os corruptos difamadores da ordem pública.
            Sobre nós colocam canções de embalar, hinos, contos, um fadinho inatendível pela sua custada palavra, arrogante, presa à força cobarde de corpos que apenas se importam com o seu ego, e apenas com ele, ignorando a vontade alheia de Portugal.

terça-feira, 24 de maio de 2011

Mancha Nebulosa

            Recordar-me-ei no dito diário, as sensações, preenchidas pelo cruzamento e pela união de corpos distorcidos, os nossos, que se voltam para que atinge-mos os olhares perplexos, finalizadores de uma relação que mistura o notar da presença com a percepção do facto de sermos especiais um para o outro. Admiro-nos num conjunto encantado e valorizado, simulado numa evolução esbanjadora, de um amor que substitui o impossível pelo inacreditável, apesar dos desentendimentos, dos ciúmes, da confiança quebrada por meio de erros cometidos involuntariamente (ditos involuntários).
            Subscrevo então que,  sem receio, qualquer pudor ou medo problemáticos, que jamais hesitarei que a brevidade do nosso ser seja colocado em risco. Prejudicada, tardiamente me recordarei do nosso olor único, e, fechando repentina e esfalfadamente os olhos, imagino desertos cobertos pela tua imagem, somente por ela.
            Agradeço ás ondas, a intensidade das promessas minhas, das palavras de amor, tão inexplicáveis, tão robustas e tão cor magenta.
            …
            …
            …
            Tempos, aqueles, em que após a minha crença no sentimento surge, imagino-me deitada sobre o teu abdómen, não me conseguindo abster do calor rasurado, esfregando a saudade na tua pele límpida. Humedeço os lábios mútuos, quentes, provocatórios, puxo-te contra o meu peito repleto de possessão, respiro forte ao teu ouvido e enfurecida grito por não te ter. Reduzo o olhar e apenas sinto, não um sentir menosprezado, por me envolver nos teus braços, por suspirar de alívio. Carinhosamente t’envio o meu sorriso, ergo o rosto e assimilo-te a minha mente pecaminosa. De imediato, entrego-me a ti, venerando que o que sinto de momento, jamais termine.

Última


Mentiras, angústias em vão,
Culminando-me até à exaustão.
E apaixonada entreguei-me!
Cega de Amor deparei-me
Com a inexistência do Perdão.

Permaneço recaída sobre os teus pedaços,
Pedaços sentidos, turbulentos,
Magicando sobre um espaço
Impossível, recambiado, barulhento,
Inutilmente perdido num ego, passo a passo.

Uma última vez atribuir-te-ei,
Uma última vez encarcerada
Pretendo rasgar ruínas, manifestada
Como monstruosa. Uma última vez alcançarei.

Este é o meu rumo assente miraculosa e genuinamente composto.

domingo, 22 de maio de 2011

Abertura. Bondade. Carinho. DÁ! Entrega. FAZ! Genuidade.

           Um dia conto-te a história da minha vida, sem mais rascunhos, esboçando sorrisos, enfrentando paraísos, sendo um exemplo útil à sociedade; sem mais adição de tinta permanente, sem mais surpresas azedas. Mas, porquê lamentar? Os nossos problemas comuns são demasiado fúteis ao contrários dos mortos, torturados à exaustão, aniquilados, mutilados, loucos e sonhadores, viciados no doce toque do álcool nos lábios… dos esfomeados que dormem ao relento, sem opção, sem uma inexplorável acção de afecto. Assim, arrasto-me sobre a podridão da Vida, sobre aquela que se depara entre o sensacionismo puro e a mágica adrenalina do rumo que permanece colado às reticências a que eu chamo morte, o fim da intitulada Vida…
            Quis determinar os momentos em prol do que desejo; gritar do ponto mais alto o quanto me orgulho das minhas origens; tirar solenemente a roupa e perseguir a água que me congelará o corpo, a alma, a memória; vibrar com as risadas, muitas delas sem fundamento; escravizar a minha mente com a verdade. Tenho tudo, estou despojada de felicidade?
            A tentativa corresponde à esperança. A ilusão a uma possível perda de noção da realidade. Mas, de facto, e porque não poderíamos persistir neste mundo sem o brilho característico da bondade, afirmo: não tenham medo de lutar por essa magia estonteante de abraçar sem fulgor, sem convencionalismos, de simplesmente dar o tudo, quebrando o orgulho ridículo que é negar os sentimentos, os nossos sentimentos.
            Infelizmente abominam o valor simbólico que a palavra transmite. Bondade é o comportamento mais sólido e genuíno perante si e a outra pessoa. Minha gente, amar e ser amado virá espontânea e consistentemente, e posteriormente virá a necessidade, mais do que a vontade, de afirmar esse mesmo acto. Tudo tem o seu tempo. Aprendam a reflectir antes de agir.
Percorro o corpo, puxando bem forte o coração eterno, arrancando-o disformemente, rasgando as entranhas com as unhas, apelando entre gritos agónicos à sensatez da entrega ao próximo.
Esmiúço então, com saudades inquietantes, as sementinhas de entrega, o fim do caos aberto em nada, a configuração vibrante de um ponto estratégico e sensato de significado, permanecendo ansiosamente perante as raízes de solidariedade, sentindo nos poros, a vida e o que dela provém.

Desejos satisfatórios?

            Apetece-me, sem dimensão possível, acarinhar-te; abraçar-te; beijar-te, enquanto sorrio (encostada ao teu rosto), de extrema felicidade, fazendo com que o meu coração acelere, arrebentando as forças, nunca na totalidade, porque me renovas cada dia que passa, cada dia que atravessas o meu caminho, tornando explicável o nosso romance… como uma redacção de um livro gritante de amor, como um filme que não anula, pelo contrário, dá fundamento a esse mesmo amor.
            Quero gritar o quanto não me arrependo disto, do que venci, do que ganhei em prol do meu sentimento. Tentem destrui-lo, apagá-lo, ou qualquer outro modo de fim, de ponto final na relação, digo-vos, desde já, que jamais irão conseguir. Sabem porquê? Convençam-se de que é uma missão impossível perante um amor que chega a matar e a acordar de seguida, suspirando uma paixão enfurecida.
            Não existem mágoas possíveis, sofrimentos passados, acontecimentos plausíveis, que possam destroçar-nos enquanto casal, visto que, por seres um pedaço de mim, por preencheres a minh’alma, pertencer-me-ás na eternidade, na inevitável realidade desassossegada das nuvens que rebolam num céu desenhado de amor.
            A distância não destroça a essência do que ambos sentimos, genuinamente, completando-nos como um todo. E, como prova disso, sonho acordada pelo dia que venha a atirar-me para os teus braços, abraçando-te, sussurrando que te amo, soando de paixão, gritando de prazer caloroso presenciado em mim, na minha face alegremente feliz.
            Conheci a riqueza resplandecente, ao juntar a minha carne possuída de amor, à tua, que me atribui todos os bens maioritariamente fundamentais no circular da minha vida. És um presente que não atingia por meio dos desencontros. Permanecíamos separados, afastados mental e corporalmente. Sortuda sou, ó sou, meu amor. Vem até mim, contente, sempre quente, esperando a eternidade do nosso romance que, com o qual, não há limites na imaginação, podendo, nós, num todo, sonhar, descontrair, emocionando-nos com os retratos digitais, com as memórias interiores, com as recordações rejuvenescidas, com os planos futuros delineados pela tinta da vida.
            A minha estratégia é aproveitar o tempo, confortar-te comigo, nele. Mesmo que, um dia, por consequência das atribulações do mundo, te afastes de mim, encontrar-te-ei num círculo giratório de girassóis coloridos.

Sobriedade do Perdão



                       Momentos vivenciados perante lagoas de sentimento, norteados a quilómetros de distância, superiorizados ao impossível, destacados como nobres… Recordas os sorrisos plenamente deslocados entre seres que se admiravam mutuamente nos arredores da emoção? Se sim, porque me angustias em vão, num momento de morosidade sem explicação? Imbatível seria a completa demonstração, genuína e livre de mágoa, a musicalidade persuasiva num mar de insegurança, aliada á minha certeza de que, jamais voltaria a alimentar o sofrimento ridicularizado por segundos míticos.
            Como teriam sido as marcas viciadoras, sem as tuas palavras esvoaçantes, o teu toque árduo, o teu olhar apaixonante – bocas ligadas por chamas, dinamizadas, ambas, por corpos ambíguos de amor?
            Observo a tua imagem, e impossibilito-me de acreditar – Como poderia eu alcançar e perder, perante uma inundação de erros trágicos que demonstraram o incorrecto? E que por mais que a justificação se presencie, em ti não tem qualquer significado. Sendo assim, encara o medo mortífero e entrega a tua magnitude à verdade, ao perdão, à simplicidade do dar e receber.
           Mentiras e calúnias, longínquas da merecida aceitação, colocadas na insatisfação como consequência. Se as englobas na totalidade, sucedes caloricamente a destruição do nosso todo. Loucamente me ajoelho de fragilidade perceptível e repito fogosamente, presentemente, no após e na eternidade: “Quero-te em mim, na imaterialidade do mundo, na plenitude perspicaz do que sempre fui.”

Apetite Manufacturado

          Encarecidamente nua sobre ti, libertada de qualquer pudor, atinjo a quente abstenção da rotina. Penetrada enredadamente, reviro o olhar e sopro na tua direcção, enquanto perguntas excitado, se me dominas longitudinalmente. Voltas, rodopios, cambalhotas: expressões físicas ou até, diria eu, materializações possíveis entre dois seres descodificados de tensão sexual. De costas voltadas, alcanço a descabida energia, jamais bem-vinda; a tua respiração no meu ouvido; o teu suor caindo nas minhas pernas, curvadas e forçadas no momento; a tua mão direita arrancando fugazmente fios de cabelo humedecido, enquanto a outra perseguia a liquidez da minha pele quente e sentida. Sobre mim estendias os músculos, entretanto, a animação chegava ao cúmulo da questão. Prisioneiro das minhas ordens, sem o poder de retirar as mãos de onde as coloquei, levemente rastejavam os mamilos sobre o teu peito, e sucessivamente, soltava-se a euforia esgotada.
Roupa debruçada em todo o quarto, desarrumada, não só ela, também a minha alma, que detinha do mesmo problema, uma desorganização confusa, descoordenada, perturbante; olhando fixamente no meu amante das horas vagas, que abre o apetite espontâneo, até no momento inapropriado.

Graffiti nu

        Baptizo a virgindade com a tua virilidade fértil. Momento de pura paixão, reencaminhada por chamas, escoando as gotas de extenso prazer, de iluminação secreta, recriada por velas alongadas num quarto, pequeno, sim, mas de enorme imaginação, tranquilizada por palavras dóceis e, por um toque suavizado pela tua pele madura de sabedoria. Coloquei sobre o peito, a totalidade do meu sopro profundo. Gemi tetricamente sobre ti, afogando-me no teu corpo crucial e, dominavas-me ledamente, subindo e descendo, leve e gravemente. Tremendo, gritava. Óbvio que, a dor jamais superava a força descontrolada do meu amante perfeito e real. Como seria possível a conjugação de ambos os adjectivos? Duvidava, desconfiando da minha sina, abençoada pela beleza literal do amor. Agradeço ao Olimpo, o teu passado presente em mim. Decapito-me, sem melodia, entre lágrimas veneradas pelo desespero melancólico dos erros cometidos casualmente, justificados pela adolescência tardia.
            Entre correntes, precipícios e vendavais, prendias-me sobre a madeira, torturavas-me, embora gostasse, e, cega momentaneamente, descrevia na minha mente a data marcante de toda uma vida. Sangue escorria, suor límpido manifestava-se, enquanto um sorriso patético permanecia, descrevendo a limitada explicação de horas genuínas de grandeza superior.
            Sobre o espelho, revirava o cabelo, húmido e distorcido, e tu, observavas e abraçavas fortemente o nosso todo. Agressivo, apertavas-me disformemente e, o meu “eu” poético cheirava velozmente o aroma a sexo, penetrado em ti.
            Terminada a fuga terrestre, voltei, decidida a lutar pela degradação amada, tentando com pulsos cerceados pelo medo, atingir, esfaqueando, o teu coração.
            De regresso á vida quotidiana tão lamentável, trocámos juras de junção a dois; beijos, que de silenciosos nada tinham: a verdadeira criatividade decorativa mundial, o sentimento mais vibrante e desligado do material, o amor.

Reflexo inanimado

Sobrevivo sobre a essência ambígua, porque ela, em mil pedaços, desmorona a recordação dolorosa, tentando a minha consumação, a minha fuga num deserto incendiado pela destruição. 
Um pesadelo negro, reaparecido, repleto de dor – a incapacidade de volta, referente ao toque desclassificado. Refiro-me a esse momento, como a respectiva distracção á verdade e á loucura que a mesma esconde e verseja. Distancio-te visualmente: reviver é desfrutar da raridade incolor, é afogar lágrimas penosas no paraíso da eternidade, no poder da tua alma, na tua infalível aura.
Meramente destruída pelo fôlego obscuro que a ti não alcanço, afirmo-me como silêncio de uma personagem em rubro, como uma preciosidade meramente vivida e desejada, pertencendo ao que de trágico insiste em pousar sem densificar, embora e jamais, por mais que tentasse, esqueceria o brilho da simplicidade, o envolvimento perpétuo, o crescimento aterrorizado pela imaturidade, o início de um caminho fortificado pelo tudo, a razão atribuída ao amor pelo adjectivo ‘perfeito’.
Receio não localizar a verdade desmembrada entre labirintos de gritos devastados, com a impaciente e imensa energia que tende a persistir, com a ausência de lugar fiel. Amo o que em mim provocas... uma luz desnorteada por se descobrir, uma rota de caminho nefasto à procura do impossível.
(Corvos zumbindo a minha esfera de pensamento ideológico)

Descoberta em sangue

O beijo.
            Quando soletradamente o recordo, humilho aquele sorriso maioritariamente esboçado de expressiva felicidade. Lanço magia na inaptidão do acontecimento, vencedor de ligação dupla e recíproca, colocando-lhe estrelas degradantes de oposição. Meu corpo ressente a investida, negra pela falha repetitiva. A facilidade desagrada, embora o teu sexo seja nulo à minha presença humana.
            Cepticismo? Reservado na deslocação de comportamentos humanísticos ocultados na lusitanidade da troca de fluidos, emaciados na floresta de espinhos arredondados á libertação.
            Relembro, de algum modo, com lágrimas acesas de paixão, viajando no meu rosto, esboçadas entre espinhos loucos e sonhadores, a cor dos teus lábios, enquanto os teus olhos percorriam os meus; o modo belo como libertavam o seu desejo; o mar reflectido no espelho luminoso, escutado como um só, vivenciado por ondas vibrantes de inspiração pura e rebelde; o teu corpo dentro do meu, unindo-nos carnal e alucinadamente.
            Amante da misericórdia, respiro a tua essência ilimitada, fazedora de uma insânia perpétua; o teu humor casual liberto de todo o pensamento extra; o teu crime em considerar-me musa, colocada num pedestal paramétrico.

Crepúsculo Pensamento

Na seguinte eternidade, nós, uma semente em plena revolução, em prantos de angústia existencial, desafiada pela medíocre fantasia do desaparecimento pessoal; pelo esgotamento derretido noutra ira; pelo distanciamento jamais permitido, iremos, ambos, vitoriosos, destroçar a fuga, reencontrando o pôr do sol irradiado e, o mar de naufrágio explodido sobre o que um dia senti na imensidão do meu crepúsculo coração, dinamizado pela luta constante sobre o teu ser. Amplio a redução realizada pela natureza, aterrorizando o amor, miserável, desmedido, sem a entrega receada, sujeitada e muda de paixão. 

Falsa? A consciência inexistente, sobressaltando sem uma razão credível.
Hipócrita? O que advém dos teus versos explicativos.

Um dia, em breve, talvez tarde que é um nunca aproximado, procurarás, tu (primeira e única criatura do meu ópio de amor), entre os girassóis – plantas que manobram a vida consoante a percentagem do sorriso; o que de mim sempre restou, a fúria incondicional de amar sem merecer.
Assim, por fim, imagino, até recordo, o meu desejo partilhado; o meu erro vitorioso pela fuga interessada em dimensionar a energia do luar; o meu regar de memórias, tão contraditórias, que um dia renascerão, permanecendo na entrega do máximo alcançável. E, perdoarei os meus actos destruidores de razão e, negarei o meu desejo insaciável, determinado com extrema persuasão, embora apoiada na perpetuidade do passado. Além de, tencionar resguardar a igualdade e simplicidade da permanência desaparecida no sentimento vulgarizado pela actualidade, pela modernidade, tão adepta de desconstrução solitária.

Evolução do sarcasmo

           Receio a morte, não o que provém dela, mas a detenção de valores abstraídos no nada, na vastidão ridícula, censurada pelos demais neste mundo, cruel, marcado pelos defeitos, pela guerra constante e indeterminada, pela tentativa de minimização oculta dos reais problemas facultativos. Aqui e agora, um mundo de vanglória, rodeada de miséria faminta de novidade positiva. Aristotelicamente, guardo em mim a memória globalizada, do desejo criativo atingível, talvez, na esfera vencedora – a magia vigiada pela sensatez de uma cultura contraposta á verdade, de um terreno que apoia o seu nacionalismo até á sua incineração. Mesmo que vencida, numa guerra labiríntica, armada por um povo desgostoso, implorando pelos cravos comunistas. Abranjo a maresia simbólica, relaxante, perante o fim obscuro formulado por mim, em todos.
            Rastejar por alimento, dormir ao relento, implorar pela resistência da arte na capital da beleza escondida, omitida e vulgarizada.

            A que humanidade pertenço eu? Que veracidade surgirá entre cadeias ausentes de compaixão? Responde um inimigo da liberdade: “O nascimento dignifica a exactidão da felicidade. O sofrimento é o destino. A utopia contrapõe-se.” E eu, abismada com tal comentário, corro na sua direcção, apunhalo-lhe o peito inconscientemente e, liberto no coração de Lisboa, o exercício cósmico, a energia da comunhão incessante e sagrada.
            Que faz a minha modernidade, hiperbolicamente evoluída, instituída num carácter mortífero, prestes a domesticar a segunda existência, repleta de malfasejas? Uno o corpo à alma, sacrificados, adulteramente pelas impurezas fúnebres do sepultamento prévio que alcançará o nosso país – altar carbónico ao som de um hino orado, extinto de força sucessiva.
            Propriedade privada? Não exijo convulsivamente. Autoritária, manejo o refúgio pessoal. Apenas isso. Desejo o mínimo legatório.

Luar de espinhos

            Retrocedo, ferozmente, entre negações percepcionadas, combinadas com gargalhadas mortíferas e, densificações do sentimento decapitado, insistente, reflexivo de fragilidade. Amplio o desengano venerado pela insanidade mental, através da luz solar reflectida num desespero nostálgico em demasia, numa cadeia de insónias inúteis, na perseguição sombria e tortuosa do teu beijo momentâneo.
            A loucura dominada pela minh’alma de seda, desbride o sangue resplandecente anunciando terror, relembrando um sonho eternamente preso á saudade; á eternidade do conceito negado de beleza, afastando todo e qualquer tormento; á exaltação de dois corpos; á tristeza resultante da oposição entre dois seres humanos; ao ódio queimado, esquecido e invadido pela tentativa de ilusão perante a perdição.
            A mágoa traça o destino inaceitável, por mim; a morte urge como único desalento; o sentimento divino como imortal, desgrudado num silêncio, murmurando o que de sensacional honra a canção de amor.
És parte, total, recriada na minha angustiante nudez sensitiva. Nela, a decisão    escura e amargurada (pelo medo perseguido e pelo consumismo de prazer).
            Ostento horas de gritos, consequentes de extremo fingimento, por uma            eternidade desmedida de calor? O teu calor, a tua fuga em mim, na minha       mente, na completa e maquiavélica força de poder.
            Amo? Dimensiono o superior – és a vida preenchida em mim. Debato-me sobre          a melhor opção. Caio nela, escorregadia e presa, em lágrimas, longínquas e aterrorizadas.
            Oh meu amor! Tenho-te nos refúgios embalados pelas ondas, navegadas, elas,    entre a paixão suprema.

Vivência Diagnóstica

Correm-me nas veias, degredadas da pele, branca; solta; liberta; o desgosto eternamente precipitado, cantando a glória infinitamente sua.

Que maldição, que brusca queda me consumirá a mágoa, espreitada no longínquo?

            Apenas as memórias cristalinas, enfadonhas na sua criação, construídas descaradamente, colocadas numa dinamite de plena emoção, pela pólvora destemida. Leve e simplesmente, e como modo de ressurreição, cavo a sepultura angustiante do nada que jamais busca; do sonho desaparecido no momento; da dor inundada de esperança; da imperfeição afogada pela tortura – provocada pela distância; dos comportamentos solitários, desesperados, apelando pelo impossível, pelo esquecimento. Sim, este adormecer vasto, profundo, imaterial, escuro… o morcego da desilusão. Nele, o olhar infinito e desumano, o sorriso imaginando uma voz muda de versos, patentes de exactidão; ideais e eternos; milagrosos e contínuos. Insuportável? O orgulho dispensável que, afasta na fúria da vingança, a mentira subtil, surgida na impossibilidade da renegação.

- “Sinto o livre e tempestuoso vento navegando contra a minha descendência, flutuando na loucura. E, imploro que, este mísero sentimento rasgue as asas pertencentes ao meu coração. Estou aterrorizadamente perdida na saudade do vivido, lamentando ser escrava da realidade, ansiando as cinzas do teu corpo no meu.”

Um todo inteligível

Vida portuguesa, ansiosa pela arte minimizada em amor – glorioso, dominado pelo sangue comum, duradouro, 
disperso num sopro proibido.
            Pedaços rabiscados no horizonte, por um coração regido indignadamente; fortificado pela sinceridade contraditória e por uma grandiosa intensidade, definida revoltadamente através da conceituada transmissão sentimental… Esta (a ânsia), alcança na exactidão de versos viris, adaptados pela paixão, criação da veneração em loucura; a condenação causada pela angústia de um resultado negativo. É o sentimento por excelência, construído consoante a dominação oposta ao abandono; arriscado em complementação marginal, reflectida num calculismo perigoso de entranhas, ameaçadas e desnorteadas de desejo sem prazer, de amor sem ambição.
            Finjo não recordar o toque da hipocrisia, do corpo voltado á verdade, da repugnante e vampírica telepatia, lembrada como insignificante, característica propícia dos fracassados, que utilizam a voz como instrumento de fraqueza feminina.
            Decapito o segundo, no qual observei o vazio, tu, a destruição apagada de sentido suculento, afogado na alma divinizada pela temperatura horrenda da efemeridade.
            Finalmente nasce a severidade selvagem, enriquecida de perspicácia e escolhida por momentos delineados de magia viva, florescida e sorridente. E, o nada, descoberto num início de colorido lacrimejo, com a perpetuidade das gotas sangrentas, atiçadas e combinadas com traços fogosos, apunhalados pelo teu declamar horizontal, em meu nome.

            (Sinto-me uma actriz espelhada noutras imensas, refeita em máscaras laminais.
                                    Liberta de terror anoitecido, sem amor ao teu ego.)

Presença Angelical

Ser deambulatório, misericordioso, radiante, conquistado por si mesmo – afastado da banalidade extrema, de terminações sem sinal concreto. Poderosa, a tua circunstância fechada num círculo de pontos inexistentes. Venerada, a personagem fictícia que, permanece no pânico, sórdido, vivenciado por gotas, escorrendo em mim, sinónimo de sangue e arrependimento. Longínqua, a tua nobre sensatez, determinada pelo sarcástico egoísmo, como reflexão de um referente, inútil e possível futuro.
            Venero a tua essência, a tua dúvida perante o que de sentimental floresce. Esgoto a facilidade em perdoar o que de genuíno a tua alma tende a sentir. Alcanço um impossível circunstancial absurdo, irrelevante, morto sem razão.
            Amar-te inspirando a liberdade de uma concha magnética, de puro prazer. Meu amor é esta a visão, a minha, somente ela, inferiorizada pela sensação; arrasada infinitamente; louca de paixão; temporal, consoante a versão. Sim, admito, deterioro a tu’alma, ressuscito-te, em demasia, nos naufrágios de pensamentos, nas buscas constantes de comportamentos.
            Vivo, recrio, no presente, uma longa história de amor, apta a uma nova construção evolutiva. E, a eterna presença característica de um passado, regido pelo fogo ardente, doloroso, adaptado pela sua permanência, resultante das suas maioritárias suposições. Além das ruínas de desejos, ambas sarcásticas. Sentimento, que, não ambiciona, fere, destroça um caminho em vão, perdoa um modo errado de amar, modo, esse, sensível ao toque. Amo tudo, ainda. Sim, eu que no nada me apresento. Longe abstenho a divulgação secreta do mesmo sentimento. Dispenso a paixão. Receio-a. Observo-a na intensidade de um retornar distorcido e de todo, impossível. Jamais venerarei a angústia do não alcançar.
           
            Sinto uma imensidão de versos. Reservados no sim, na fidelidade envolvente, na sede de não te ter.

            A tua respiração renascida em mim, um deserto repleto de crueldade, de prantos de exactidão dos sentimentos em demasia, um desejo ardente vagueando na extremidade da indecisão. Apelo por ti, pelo teu denso tiro de envolvimento sagrado.
                        A fotografia da arte – um tu, simplesmente, como sinónimo mirabolante, jamais tocável, visível e, valorizada pelo que de melhor atinjo, apoderada da hipocrisia (fiéis apenas os sentimentos), da tua inacreditável mediocridade, da tua semelhança com o negro colocado ao sol, da tua prioridade em assustar o ídolo, eu – não alcanço a tua longevidade, vaga, dispersa, indeterminada.
           
            Amada pelos lábios de vinho, delicados (junto aos meus), consumidos, eles, pela exactidão do puro prazer, ligado a um livro – referido como a totalidade de um ser inexperiente na vida, oh vida injusta, repugnante e nada (…)

Pureza contrastada ao sorriso

Pássaros.
            Esses heróis encantados, poetas do vento flutuante, vibrando na intensidade do canto. Racionais, embelezados pelo verde espelhado no meu horizonte, até mesmo, pela discrepância do sentir, embora com a ausência do odor, com a anulação do pavor, distanciado da natureza. Ela, tão rica em emoção, fantasmagórica, repleta de metafísica. Ó, como amo eu a glória, a eterna essência distante do amor à arte. Visualizo-a nas cores, nos sentidos, na vida mistificada com um determinado toque de aventura. Amplifico a sensação de bondade, de pureza, ambas transparentes, vagueando no infinito, na dimensão extremista do mar – ondas fanáticas de prazer intenso e, de todo, ilimitado. Amo o que me rodeia, o toque suave do ar puro em mim; o desmembramento lunático da razão absurda, até mesmo, hiperbolizada sem fim. Renego a ciência, respiro versos paradisíacos, sorrindo na imensidão. Superioridade, porque tenho eu a finalidade de amar o que de tão sensível e mágico persiste? Luto pela revolta áspera da tecnologia. Exijo a simplicidade, sem reflectir no ego descabido do conceito. Salto, vibro e grito: “Liberdade! Liberdade! Somente, tu, donzela encantada, tornarás o desgosto actual num lindo gesto de ternura azul.”
           
                                                            (solto o cabelo negro, relaxo os ombros sem medo, sinto o meu peito intenso, abraço simples e contente um corpo docente)

Os Demónios apoderados em mim

Num dia de intensa chuva, debruço-me sobre o parapeito da vida, revoltando compulsivamente a infestação do amor sobre mim, vivenciando os privilegiados momentos ao teu lado. E, iludida num corpo queimado de mágoa, tento abrilhantar o vazio repleto em mim, congelado pela longevidade do frio, no fim lacrimoso, no abismo radiante e castanho dos teus olhos, e embora tenham escorrido lágrimas sofridas, sorrisos manifestaram-se, risos, felicidade imensa e estonteante, que me marcou na eternidade fugaz.
Recordaste do primeiro beijo, aliás, de todos eles? De como eram os nossos momentos de amor caloroso, de prazer, de incenso apaixonado entranhado na minha pele, ainda, no sempre? Mantenho o sabor dos teus lábios nos meus, a fragrância difundida sem limite, incapaz de se ausentar. Quando perseguias o meu corpo uniformemente e sentia-me de facto, única, segura, amada, esmagada positivamente, sinonimavas um tempo encarado e permanecido no presente, colocado na pausa, na concordância do destino impossível, pois éramos suficientes para que o relógio terminasse de vibrar e acelerar ao futuro. Tu, somente tu te assemelhas á perfeição.
Lamento imenso os erros contínuos e pretendo reforçar objectivamente a possibilidade de conquistar a tua confiança, manifestando que continuo semelhante ao início arrebatador. Apenas as dúvidas, inseguranças e medos se ascenderam como contratempos desnecessários. Continuo genuína a mim mesma, desejando que este processo infernal termine definitivamente. Recordo todas as injúrias que pretendiam acabar com o nosso amor, e vivencio maioritariamente a chama da luta progressiva. A luminosidade do que sentes desapareceu? Em mim, continua a garra permanente e emotiva de alguém que simplesmente ambiciona uma oportunidade.
Se eu pudesse seria apenas um vago e inconsciente passado, reflectido na imunidade, ou na suposta imunidade que obtinha em mim, na familiaridade do que é fazer sofrer embora dualmente com a capacidade possível, conseguisse determinar o verbo amar na perfeição. Sim, Amo-te! (E vêm setas na minha direcção, apunhalar-me sem perdão, condenar-me na exaustão, embora o arrependimento possa ser punível apenas pela solidão, pela eternidade do que sou). Mas, não irei ocupar a minha mente impune perante este mundo, pois a mim interessa apenas a discrepância da tua felicidade, do que escolheste, embora mate sem cor, nas trevas da escuridão, clandestina, suja, suja mesmo. Sem a junção da tua metade, a perseguição do teu ser continuará rasgada sobre mim nas cinzas, despojadas apenas de lembranças e nada.
- Que perseguição! Vejo-te vezes ilimitadas. Bem, não te vejo, penso que sim. O amor, a paixão ou o nome que possa tentar definir o sentimento que nutro, perturba-me, sem dúvida. Sinto-me deslocada, confusa, sem um modo correcto de acção perante situações que me tornam introvertida na totalidade, incapaz de seguir no caminho livre que me antepõe.
Sangro sofrimento ultra cravado nas profundezas, e se sem opção fugi do teu peito, arrancada milimetricamente, com a noção ausente de invasão, porque te manténs em mim regularizando um coração em sintonia com a desordem? Talvez porque a chama não terminará jamais, e a garra invencível de ter jamais irá afogar sua dor.
E se em mim nada restou, de que me adianta seguir, reflectir na linha  sem nexo da vida, da força incapacitada de me ampliar a perplexos corações de sangue…sangue ardente, que, luta pelo seu desejo mais íntimo, pela dimensão calórica de emoção?  Porque não merecia a tua luz sentida de paixão, que de subtil nada tinha, pelo contrário, atingia o grau mais amplo de transmissão amorosa, o dar sem receber, o sorriso por apenas ver, a magia contagiante que surge quando ocorrem os olhares, o meu, com toda a certeza, mórbido por não te ter, por jamais ter repetido a absorção dos teus lábios nos meus, no beijo dito perfeito, complementar, genuíno, único até.
 Mas como terminou essa fúria de sentimento ambíguo? Não nos destinamos mutuamente num todo? Situa-me. Oh, tristeza, não me iludas! Apenas tu não alteras a compilação de sentimentos negros, rancorosos, característicos da mágoa inevitável, localizada como esconderijo num inferno escasso de imaginação. Apenas vês a verdade, apenas tu. Um tu que me alimenta de esperança, de que um amor apenas termina na morte. E não, não tendo a afirmar paixões que por cá passam e que por lá se esvoaçam. Redijo a minha respiração ao visualizar a imagem que um dia atingi e venci, que no agora caiu num mar de espinhos, vencida, por erros meus, pela impaciência, pela imaturidade, pela indecência, pela maldade… 
Tatuada em mim estás…  reforçando a esmerada queda sobre pântanos de gotas sangrentas, continuando esmagada pelo sofrimento, pela incapacidade de alcançar uma felicidade mútua. Poderia eu viver na tua ausência? Jamais! O teu calor apagou a chama do meu sacrifício aterrorizador e permaneço tendencialmente cinzenta num abismo exaustivo, perdida na serradora morte. Encontrar-me-ei um dia sem chegada sobre a tua pele divina, acesa de amor, sobre a tua pele quente e sentida, equivalendo a ambivalência de corpos embriagados á fantasia lunar.
Percepcionada pelo tédio místico e pelo pavor, reflectidos, ambos, no grito de caos degradado, claramente me antecipo na miséria gratuita de não te ter, desmoronando caoticamente na sensível problemática do tema aterrorizado pela tua distância, acompanhado de faces interrogativas – Ter-te-ei? …
Concretizaria um sonho, um sonho que já vivi… na morte incompleta onde já pertenço.

Volta Esgotada

Que desgosto o meu,
Viciado na manuseada dor.
Se o amor é seu,
Porque me anseio em pavor?

Ilibada, venho-vos estorvar,
Tentando, por nós, não me orgulhar,
Mas característico é o ódio
No sonho vivo colocado no pódio.

Evasiva, prestes a partir num adeus,
Sigo a veia ambiciosa de solidão.
Em meu nome, promete-me, Zeus,
Um novo caminho repleto de salvação.

Sonh’olhando

Sonh’olhando, ergo os braços longe do tormento
Porque ao teu lado é que me aguento.
E prometo, que, em ti, o infinito caloroso
Permanecerá no início esvoaçante do poço.

Sonh’olhando a eternidade deambulatória
Do nosso futuro, repleto nas nuvens,
Criadas, sem uma temível insegurança, pelos homens.

Sonh’olhando, a mágoa que me percorre
Na totalidade, as entranhas encantatórias.
Não aguentando, penso: corre.
Não há mais horas escapatórias!

sábado, 21 de maio de 2011

Heterónimo Vicent Albert Bean

Desclassificado me angustio. É esta a miragem personalizada do meu eu perante a sina desumana que me aflige e pressiona a todo o instante, repleto de solidão. Sacrifico-me no perdão interior, cego na totalidade, vibrando nas queimaduras surgidas de um acidente sem a mínima perspicácia.
De que me lamento na eternidade? Eu, Vicente Bean, desnorteio a dimensão mágica do acontecimento. Estou vivo, sobrevivo. Subjectivando, realizo a unicidade da liberdade completa e responsável da existência. Era o destino a condenar a minha essência sorridente, decapitando um gesto feliz, num desagradável e ingrato. Permaneço de queixo no desalento, agradecendo a minha permanência no mundo dos psicopatas deslocados. Como diria o meu pai (russo), Alexander Bean, os medos vencem ao contrário a superiorização vislumbrada, a que de algum modo esgotou a fome de morrer. Preciso de aqui estar, lutar pelo existencialismo pessoal. Do lado feminino, Vitória, minha mãe (portuguesa), ansiava pela vitória do meu ser singular, aquela a que muitos não valorizavam como ambígua e genuína. Ambos correctos. Talvez. Sim ou não, a força do meu símbolo.
Vindo a 13 de Outubro de 1875 e fugindo na decadência do imaginável, permanece minh’alma aqui, retratando o que de sensacional e colorido me afundou. Parti a 5 de Agosto de 1897, atropelado pela vida, numa cama de hospital. Fria, repelente, um diagnóstico falhado no sempre. A visão nunca a tive, e agradeço se assim o foi.
Ruivo, de olhos cinzentos, excessivamente moreno, com um estilo robusto, apresentável, um homem com óptimo aspecto na sociedade, isto é, embora livreiro de rua, que dinheiro não o tinha, momentaneamente apto pela vivência de capacidade mental, caracterizadora da comunicação.
 Flores dispersam em meu nome como se a partida fosse um adeus sem volta. Não posso agraciar tais acontecimentos com a ausência de risos menosprezados. Amigos, continuo como vós, vangloriando o que de precioso aparece.
Acumulados, os meses inserir-se-iam, na agenda de um crepúsculo, marcado pelo desgosto que acendo. Denuncio o que de mais relevante pressiona o meu todo invisível, esgotando, assim, a pulsação arrebatadora do peito meu, sofrido, inquietante, ansiando a impossibilidade no nada. Como liberto vitoriosamente a ira de angústia sem volta?
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            E, vibro na recordação, minimizada pela dor, dor esta que me ampliou na eternidade demasiadamente recostada, na ausência de  justificação bipolar do meu ser: fonte de vida ou poço de insegurança preocupante? Questiono-me em vão. Certamente, as veias frágeis se apagaram numa só, a que me ofusca num grito de perda constante. A alma deslocada, se emociona na resgatabilidade de íntegra saudade, com um aplauso notório.  Decapito, assim, respirações ambíguas, torturadas na vastidão da loucura, proporcionadas pelo desrespeito magoado num salto de vitória. Por amar um sonho perdido, me acompanho de energia inebriante, na morte fazedora de prazer nos céus impressionantes. Carecerei, eu, na ponte do fim. E o que leva de mim o instinto? Um corpo sepultado num gemido avassalador.
Erguido no infinito, dediquei um olhar afogueado de sentimento ostentado ao reconhecimento, no pleno momento de reacção, revelando o poderio mágico da situação amedrontada pela sistemática humanização que nada fez por mim, a não ser violar regras transparentes que ninguém as vê - Agi na direcção contrária, omiti a carência pavorosa e venerada de tensão entre rodas aceleradas no interior de um objecto motorizado.
Oh! Porquê? Porquê parti? Erro substancialmente, no medroso pecado mortal, na vontade involuntária de trair a compaixão unida entre um mundo lacrimoso e um caixão de esperança aterrorizada.  
Vigio a libertação em torno da decifração, sugando a minha memória, no senão, na vivência total, mesmo que, distanciada da fortuna pessoal, do ditirambo custoso.
Assim, termino, arruinado por sentimentos angustiantes, descabidos, alertados à fuga nomeada  num adeus tumultuoso, encaminhando-me no tédio sensitivo, na evasão desencantada, sem salvação partilhada…
…num sonho decadente, exacerbado de marcas provisórias.