domingo, 22 de maio de 2011

Reflexo inanimado

Sobrevivo sobre a essência ambígua, porque ela, em mil pedaços, desmorona a recordação dolorosa, tentando a minha consumação, a minha fuga num deserto incendiado pela destruição. 
Um pesadelo negro, reaparecido, repleto de dor – a incapacidade de volta, referente ao toque desclassificado. Refiro-me a esse momento, como a respectiva distracção á verdade e á loucura que a mesma esconde e verseja. Distancio-te visualmente: reviver é desfrutar da raridade incolor, é afogar lágrimas penosas no paraíso da eternidade, no poder da tua alma, na tua infalível aura.
Meramente destruída pelo fôlego obscuro que a ti não alcanço, afirmo-me como silêncio de uma personagem em rubro, como uma preciosidade meramente vivida e desejada, pertencendo ao que de trágico insiste em pousar sem densificar, embora e jamais, por mais que tentasse, esqueceria o brilho da simplicidade, o envolvimento perpétuo, o crescimento aterrorizado pela imaturidade, o início de um caminho fortificado pelo tudo, a razão atribuída ao amor pelo adjectivo ‘perfeito’.
Receio não localizar a verdade desmembrada entre labirintos de gritos devastados, com a impaciente e imensa energia que tende a persistir, com a ausência de lugar fiel. Amo o que em mim provocas... uma luz desnorteada por se descobrir, uma rota de caminho nefasto à procura do impossível.
(Corvos zumbindo a minha esfera de pensamento ideológico)

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