domingo, 22 de maio de 2011

Abertura. Bondade. Carinho. DÁ! Entrega. FAZ! Genuidade.

           Um dia conto-te a história da minha vida, sem mais rascunhos, esboçando sorrisos, enfrentando paraísos, sendo um exemplo útil à sociedade; sem mais adição de tinta permanente, sem mais surpresas azedas. Mas, porquê lamentar? Os nossos problemas comuns são demasiado fúteis ao contrários dos mortos, torturados à exaustão, aniquilados, mutilados, loucos e sonhadores, viciados no doce toque do álcool nos lábios… dos esfomeados que dormem ao relento, sem opção, sem uma inexplorável acção de afecto. Assim, arrasto-me sobre a podridão da Vida, sobre aquela que se depara entre o sensacionismo puro e a mágica adrenalina do rumo que permanece colado às reticências a que eu chamo morte, o fim da intitulada Vida…
            Quis determinar os momentos em prol do que desejo; gritar do ponto mais alto o quanto me orgulho das minhas origens; tirar solenemente a roupa e perseguir a água que me congelará o corpo, a alma, a memória; vibrar com as risadas, muitas delas sem fundamento; escravizar a minha mente com a verdade. Tenho tudo, estou despojada de felicidade?
            A tentativa corresponde à esperança. A ilusão a uma possível perda de noção da realidade. Mas, de facto, e porque não poderíamos persistir neste mundo sem o brilho característico da bondade, afirmo: não tenham medo de lutar por essa magia estonteante de abraçar sem fulgor, sem convencionalismos, de simplesmente dar o tudo, quebrando o orgulho ridículo que é negar os sentimentos, os nossos sentimentos.
            Infelizmente abominam o valor simbólico que a palavra transmite. Bondade é o comportamento mais sólido e genuíno perante si e a outra pessoa. Minha gente, amar e ser amado virá espontânea e consistentemente, e posteriormente virá a necessidade, mais do que a vontade, de afirmar esse mesmo acto. Tudo tem o seu tempo. Aprendam a reflectir antes de agir.
Percorro o corpo, puxando bem forte o coração eterno, arrancando-o disformemente, rasgando as entranhas com as unhas, apelando entre gritos agónicos à sensatez da entrega ao próximo.
Esmiúço então, com saudades inquietantes, as sementinhas de entrega, o fim do caos aberto em nada, a configuração vibrante de um ponto estratégico e sensato de significado, permanecendo ansiosamente perante as raízes de solidariedade, sentindo nos poros, a vida e o que dela provém.

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