domingo, 22 de maio de 2011

Apetite Manufacturado

          Encarecidamente nua sobre ti, libertada de qualquer pudor, atinjo a quente abstenção da rotina. Penetrada enredadamente, reviro o olhar e sopro na tua direcção, enquanto perguntas excitado, se me dominas longitudinalmente. Voltas, rodopios, cambalhotas: expressões físicas ou até, diria eu, materializações possíveis entre dois seres descodificados de tensão sexual. De costas voltadas, alcanço a descabida energia, jamais bem-vinda; a tua respiração no meu ouvido; o teu suor caindo nas minhas pernas, curvadas e forçadas no momento; a tua mão direita arrancando fugazmente fios de cabelo humedecido, enquanto a outra perseguia a liquidez da minha pele quente e sentida. Sobre mim estendias os músculos, entretanto, a animação chegava ao cúmulo da questão. Prisioneiro das minhas ordens, sem o poder de retirar as mãos de onde as coloquei, levemente rastejavam os mamilos sobre o teu peito, e sucessivamente, soltava-se a euforia esgotada.
Roupa debruçada em todo o quarto, desarrumada, não só ela, também a minha alma, que detinha do mesmo problema, uma desorganização confusa, descoordenada, perturbante; olhando fixamente no meu amante das horas vagas, que abre o apetite espontâneo, até no momento inapropriado.

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