De que me lamento na eternidade? Eu, Vicente Bean, desnorteio a dimensão mágica do acontecimento. Estou vivo, sobrevivo. Subjectivando, realizo a unicidade da liberdade completa e responsável da existência. Era o destino a condenar a minha essência sorridente, decapitando um gesto feliz, num desagradável e ingrato. Permaneço de queixo no desalento, agradecendo a minha permanência no mundo dos psicopatas deslocados. Como diria o meu pai (russo), Alexander Bean, os medos vencem ao contrário a superiorização vislumbrada, a que de algum modo esgotou a fome de morrer. Preciso de aqui estar, lutar pelo existencialismo pessoal. Do lado feminino, Vitória, minha mãe (portuguesa), ansiava pela vitória do meu ser singular, aquela a que muitos não valorizavam como ambígua e genuína. Ambos correctos. Talvez. Sim ou não, a força do meu símbolo.
Vindo a 13 de Outubro de 1875 e fugindo na decadência do imaginável, permanece minh’alma aqui, retratando o que de sensacional e colorido me afundou. Parti a 5 de Agosto de 1897, atropelado pela vida, numa cama de hospital. Fria, repelente, um diagnóstico falhado no sempre. A visão nunca a tive, e agradeço se assim o foi.
Ruivo, de olhos cinzentos, excessivamente moreno, com um estilo robusto, apresentável, um homem com óptimo aspecto na sociedade, isto é, embora livreiro de rua, que dinheiro não o tinha, momentaneamente apto pela vivência de capacidade mental, caracterizadora da comunicação.
Flores dispersam em meu nome como se a partida fosse um adeus sem volta. Não posso agraciar tais acontecimentos com a ausência de risos menosprezados. Amigos, continuo como vós, vangloriando o que de precioso aparece.
Acumulados, os meses inserir-se-iam, na agenda de um crepúsculo, marcado pelo desgosto que acendo. Denuncio o que de mais relevante pressiona o meu todo invisível, esgotando, assim, a pulsação arrebatadora do peito meu, sofrido, inquietante, ansiando a impossibilidade no nada. Como liberto vitoriosamente a ira de angústia sem volta?
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E, vibro na recordação, minimizada pela dor, dor esta que me ampliou na eternidade demasiadamente recostada, na ausência de justificação bipolar do meu ser: fonte de vida ou poço de insegurança preocupante? Questiono-me em vão. Certamente, as veias frágeis se apagaram numa só, a que me ofusca num grito de perda constante. A alma deslocada, se emociona na resgatabilidade de íntegra saudade, com um aplauso notório. Decapito, assim, respirações ambíguas, torturadas na vastidão da loucura, proporcionadas pelo desrespeito magoado num salto de vitória. Por amar um sonho perdido, me acompanho de energia inebriante, na morte fazedora de prazer nos céus impressionantes. Carecerei, eu, na ponte do fim. E o que leva de mim o instinto? Um corpo sepultado num gemido avassalador.
Erguido no infinito, dediquei um olhar afogueado de sentimento ostentado ao reconhecimento, no pleno momento de reacção, revelando o poderio mágico da situação amedrontada pela sistemática humanização que nada fez por mim, a não ser violar regras transparentes que ninguém as vê - Agi na direcção contrária, omiti a carência pavorosa e venerada de tensão entre rodas aceleradas no interior de um objecto motorizado.
Oh! Porquê? Porquê parti? Erro substancialmente, no medroso pecado mortal, na vontade involuntária de trair a compaixão unida entre um mundo lacrimoso e um caixão de esperança aterrorizada.
Vigio a libertação em torno da decifração, sugando a minha memória, no senão, na vivência total, mesmo que, distanciada da fortuna pessoal, do ditirambo custoso.
Assim, termino, arruinado por sentimentos angustiantes, descabidos, alertados à fuga nomeada num adeus tumultuoso, encaminhando-me no tédio sensitivo, na evasão desencantada, sem salvação partilhada…
…num sonho decadente, exacerbado de marcas provisórias.
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