domingo, 22 de maio de 2011

Descoberta em sangue

O beijo.
            Quando soletradamente o recordo, humilho aquele sorriso maioritariamente esboçado de expressiva felicidade. Lanço magia na inaptidão do acontecimento, vencedor de ligação dupla e recíproca, colocando-lhe estrelas degradantes de oposição. Meu corpo ressente a investida, negra pela falha repetitiva. A facilidade desagrada, embora o teu sexo seja nulo à minha presença humana.
            Cepticismo? Reservado na deslocação de comportamentos humanísticos ocultados na lusitanidade da troca de fluidos, emaciados na floresta de espinhos arredondados á libertação.
            Relembro, de algum modo, com lágrimas acesas de paixão, viajando no meu rosto, esboçadas entre espinhos loucos e sonhadores, a cor dos teus lábios, enquanto os teus olhos percorriam os meus; o modo belo como libertavam o seu desejo; o mar reflectido no espelho luminoso, escutado como um só, vivenciado por ondas vibrantes de inspiração pura e rebelde; o teu corpo dentro do meu, unindo-nos carnal e alucinadamente.
            Amante da misericórdia, respiro a tua essência ilimitada, fazedora de uma insânia perpétua; o teu humor casual liberto de todo o pensamento extra; o teu crime em considerar-me musa, colocada num pedestal paramétrico.

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