segunda-feira, 11 de junho de 2012

Acasalamento


Alude-me música! Estás aqui e sinto-te encarnar
Uma sonoridade distante do findo, torneada
Por uma decadência mórbida, arrastada
Num som, abismo deformado e a arrobustar.

Sinto clarinetes, linhas finais, sinos,
Escapadelas ínfimas e sedutoras,
E quero-te tanto, em entregas múltiplas,
Num entrelaçar deslumbrado de corpos.

Ondula-te no meu peito, descendo robustamente,
Numa corrupta libertação de ansiedade.
Enche-me de desejo, tempera-me a suavidade
Minha. Atira o canibal que há em ti, carnalmente,

Sem qualquer pudor. Saliva atroz, feroz, -oz,
E chupa-me a sensação desigual, tão pouco amena.
Remexo por inteiro,  grito contra demónios. Que pena,
Incessantemente desabrocham calafrios.

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