quinta-feira, 11 de agosto de 2011

Turbilhão Espelhado

            Se voltasse atrás, manter-me-ia entre a escravidão do tempo e a viagem associada à fortuna perdida. É sofredora, esta mágoa traiçoeira do passado, como se o amanhã fosse a repetição do ontem, como se o sentimento tivesse um nome casmurro de se fazer sentir. Este meu desabafo interior restringe o calor amoroso, distingue-o até, na morte orientada por insectos repugnantes.
            O meu nome - coragem sem dó, manuseado pela lucidez insuportável, por esta assediada facada reconfortante no peito, desvalorizou a piedade obtida, antes, nos momentos de horrores, pesagens, mas, enfim, de tantas alegrias psiquiátricas e doentias. A certidão de te ter tido é a pulsação mais óbvia do apetite pelo teu corpo, pelos teus gritos de prazer, que nem os relógios batendo forte, os faziam parar.
            Percorro infernos à tua procura, mantenho-me desorientada entre xanax’s, tentando remover a consciência, lutando até, pelo teu caixão mais tristemente frio, e nem isso encontro, nem mesmo os bichos mais desgostosos e incrementados na nojentíssima crueldade do fim.
            Supliquei-te, um dia, por minutos minuciosos e verdadeiros de paixão acesa, e, encadeada por raios que serviriam como garrafas de terapia à minh’alma. 
          Que amor, amor italiano, enrolado por massas quentes embora sombrias, desmoronado como se um andaime fosse destruído lenta e gravemente.
            Não ganhei a «lotaria» desejada… Sinto-me jovem, à espera do nada. Cabe-me a mim decifrá-lo. Que abstenção é esta que causa tanto falatório? É, talvez, a brevidade dos acontecimentos a fugirem-me por entre os dedos, sem que eu possa reclamar, mesmo que rouca de mágoa.

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