segunda-feira, 15 de agosto de 2011

Nenhum acrescido

         Que tempo precoce, este, que me atinge fugazmente, sem um duplo sentido de ‘vida’!
          Tento preencher os espaços mais íntimos do meu outro <eu>, para que de algum modo, sensato, pois claro, me associe ao céu limpo, suave e azul.
            Porque me abominas do sonho? Não posso ascender como este, que não é, mas que poderá vir a ser, num outro corpo, numa outra fortuna? Reentra sem mágoas na minha carente angústia existencial, podendo libertar-me deste abismo de cânticos inúteis, deste desperdício que é afogar-me nas teias mais complementarmente rasgadas de negridão humana.
            Tu! Tu, que me és por ti, quadro velhinho que ninguém quer, mas todos criticam, destróis a sede cristalina que me abraça; contínuo local de rosas repletas de picos sangrentos, gotinhas cor de morte e nada.
            …fotografias espalhadas sobre o vento áspero e sombrio, reflexos obscuros, vendavais cordiais, estrepitantes, se assim o posso afirmar… Enfim, factos diminutivos, escaldados na quentura do verbo sobreviver… Tudo vazio, a pingar de loucura, com um toque de palidez, abrangido pelos sons mexidos do mar ondulante, caminhando na direcção errada, até às esferas inclinadas, e com ruídos incapazes de se fazer ouvir.

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