Que
tortura. Tento relembrar-me dos tempinhos sociais, pouco ambíguos, em que a
única ligação a que nos mandávamos de cabeça era a família. Socorro, que o amor
destrói vidas. Socorrei-me tempo incerto. Não conheço tiques-taques de relógios
mais insuportáveis, que me façam ver o tempo a amenizar o seu abrilhantamento
pouco a pouco. Lua cheia, manda-me um filho de luz, incorpora-me a brochura
sábia do tempo que já lá foi.
Não podia ser amada paternalmente,
somente? Isso a que intitulam de sofrimento pós amor, que rasura a doçura
adolescente, deixa-nos na cratera da infelicidade, numa possível queda, a
qualquer momento, num quê, mas porquê? Eu sei, eu sei. Amar-me-ão, não apenas
por uma carinha laroca, que tem
gestos menos próprios, palavras ruins, o nariz enrugado e um olhar que perturba
mentes (fá-las amar, não nego). De antemão, acredito com rigor, no poder do
corpo a corpo, na distância que não rasga um apaixonamento escravo. Tal
distância facilita-nos o comprovativo para a janela da certeza. Olho-te e não
vejo tenruras, incertezas, malícias: é cessante o amor. Quando m’encontro
reguila, compatriota da infância, numa revolta que não me traz os juntamentos
felizes dos pais com os tios, dos tios com os primos, dos primos com os avós, é
como se não precisasse do amor que me faz sofrer, que me faz mandar aos sete
céus, tudo o que se construiu – sete pecados, sete vidas, sete erros.
Coleciono-os na construção passo a passo da minha tórrida, por vezes
entediante, felicidade.
Atirar-me-ia ao passado, como uma
catástrofe de vento sobre as árvores, que se arrancam das raízes vitais, libertava-me
de espelhos que me impedem de esquecer este rosto sofrido, que lamenta
martírios antigos, costumes que não voltam, sorrisos simples e sinceros, os
abraços aconchegantes, que só o amor do sangue consegue corresponder.
Pudesse eu ser feliz.
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