terça-feira, 24 de setembro de 2013

Sonho de menina, menina sonhada

Venerar-me-ias se me mantivesse assoberbada pela infância?
Elétrica, deambulatória, reguila, inocente, ignorância –
Presença, sentença final: cabelos doirados, tornados
Envolvedores do seio – família. Eis que me vislumbra
A escuridão mãe, assombra do são e sofredor coração,
Peito ensanguentado, choroso e mal feito.
Mandava-me de um prédio, cheiro a morte, gritaria o meu país,
A dor de não me sentir mais, senão no fim afinado, corrente
Amaldiçoada pelo tempo que dispara e jamais se ameniza,
Nem mesmo com os sorrisos pomposos de quem magica felizes atos.
Engulo e degusto momentos, o olhar mantem-se triste, afastado, lacrimoso.
Ai de mim cortar-me das lembranças, mudanças, respanças – raspo-me
E não te encontro; conto aninhos de solidão, ninhos escondidos, jazigos finais.
Profissionalizei-me na ausência de um corpo que não é meu, acumulei tristezas,
rasguei antepassados, acenei adeus a quem mal me queria;
malcriada não me manifestei mais.
Desisti, joguei, arrependi o arrependimento,
prendi-me à parede, sufoquei gritos de angústia – dor.
Apanhar-me-ia num beco a cortar cordões de volta à ascensão minha: felicidade infinda. 

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