terça-feira, 24 de setembro de 2013

Autocarro 20

Cambalhotas. Capotada. “Era o Fim.” – ditou-me a voz.
Sobejava nuances de inferno e não mantinha quaisquer esperanças.
Morreria: o corpo não podia aguentar; a vergonha encher-me-ia a mente e um suicídio não seria impedido. De facto, nenhuma das hipóteses se manifestou (diretamente).                                                                          -Apodreci-me a mim mesma-
Velejava acordada, num toque a toque com o mal, litros de sangue fugiam-me pelos olhos, olhos tristes, tristinhos, impedidos de continuar (pensei eu).
Corri, em fuga da máquina do tempo, assoprava conjuntamente com o vento, ambos enclausurados na mesma bolha, esquecia-me que me tinha sido entregue Lisboa, há uns meses atrás.
Não desisti. Retomei o sonho! Ai de mim se não o fizesse. Esbugalhava-me por completo, dar-me-ia estalos num outro ‘eu’ mais honroso, o qual não aceita desistências, fracassos, misericórdias desfavorecidas e surdas.
Aquando do meu regresso, eis que, dei por mim a vislumbrar um corpo andrógeno. Uma bicharada entranhou-se no meu cérebro, borboletas cantavam-me confusão possessa: Era amor! Ditavam-me tropecilhos, capazes de me piorar a depressiva pisada, contínua saga, ensanguentada. Lidar com o invocável dos rasgos de paixão, seria mandar-me ao purgatório, numa necessidade de morte súbita, imediata, na quentura das chamas mais acesas, chamas que proclamadas, seriam proeminas.
Foram anos soluçados de velocidade. Anos. Anos de entradas, viagens longas, saídas tropeçadas, um rasgão aqui, uma ferida ali, complementos, ócios do meu devaneio impresso no peito. Ficou por lá! Não detenho mais desse poder cristalino, frágil.
Sinto-me maleável, sequíssima, seca terra, lágrimas mar, fogo ardente, a soluçar conquilhas, presilhas que se partiram sem que eu as destruísse. Não foi fácil. Ninguém disse que o era, mas consegui.


(esbato sorrisos parados) 

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