segunda-feira, 5 de março de 2012

Maliciosos, os teus males

Encharcada sobre as pedras da calçada
Continuo, e ergo as palmas da mão
Ao céu, tentando reagir à Sua caçada
Libertina e sagaz, rebentando-me o coração.

Senhora da Verdade, Terra, mundos e fundos,
O que desejais em trocada da minh’ alma?
Imunda, apagada, negra, amarrada aos punhos.
Quereis o meu sangue emaranhado em pó e calma?

Arranha as cordas vocais e incide-me uma resposta,
Cruel até, mesquinha, diabólica. Merecerei!
Dona dos meus ossos podres e sentidos, recai-me uma proposta,
Nada ingénua, frustrante e infeliz: Detentora dos teus tentáculos serei?

Silenciosamente me é atribuído o destino,
Como essência padrão dos erros cometidos,
E é aqui que surge a ilusão, a casca do pino,
E toda uma rivalidade com o futuro prometido.

Esboço olhares maquiavélicos, detentores da podridão,
E caminho a favor do que me foi entregue.
Assim, sem dó nem piedade, não recaio na imaginação
E encaro precipícios, morcegos, capitais, com os quais me persegues.

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