Vida minha, não é não, e sim é
sim. Se o é ou não, resta-me lutar para entender as contrariedades ou fazer-me
lamentar sobre os pingos que caem de fininho sob a janela minúscula e entre –
aberta. Espantosa e alegremente sorrio e questiono: “O que de mais agradável
poderá refletir nos meus neurónios, senão a visualização metamórfica dos
elementos fortalecedores da natureza?”. É aqui que entra o jogo complexo. Não
há composição de Terra, Ar, Água, Fogo. Entendido? Não seria explicável referir
qual seguiu um ao outro. Romeu e Julieta? Não conheço. Falo do que sei, do que
senti e inquieto-me para tornar que o mesmo preencha o vazio pleno deste peito que
ambiciona por demais coisas, que ninguém entenderia.
Saem-me da garganta, palpites intragáveis, sem palato algum, quando me oriento
perante situações, e frente a frente, muito rente a um povo que não se enquadra
neste espaço, devido às questões muitas, às questões todas que nos ferem a
memória. Lacrimejo ao ver os carros passar, e não sinto significativamente
nada, vejo as pessoas correr e não quero ser como elas, dito expressões que
acompanham o meu crescimento e mesmo assim, não quero isto: Quero mais; talvez
uma pitada de pimenta acesa sobre o meu corpo, que me faça agir contra as
influências sociais.
Continuo aqui, um “eu” que não se suicida por mérito da esperança e do seu
conceito tão verde e tão puro quanto a minha ingenuidade nula. É
necessariamente aqui que abordo as calinadas debaixo da sola dos meus pés
frios, gelados até, e enfrento perigos interrogatórios, uma inveja dispensável
mas que serve de carapuça a muitos dos possam vir a ler estas ou outras
palavras, grosseiras, arrogantes (que o sejam), mas é na borda do prato que
coloco os restos, ignorando quem não me atinge. Sorrio hipocritamente, aquele
mostra/ não mostra o dente, aquele olhar intimidador, meu, tão característico,
fazendo-vos soluçar de uma raiva interna, de uma não assumida culpa por me
tornar mais e melhor, acima do telhado, olhando as estrelas cadentes,
ancestrais, que tornam possíveis os meus objetivos ao quadrado, nunca ao
quadradinho, sempre a dobrar, nunca a partilhar. Não chamaria tal sentimento de
egoísmo, não seria justo da minha parte para vós, de mim para mim mesma. Diria
que, contorno setas indicadoras, assumo o meu erro passivo, sim, talvez se me
tornasse igual a um “tu” e a um “vós”, me baloiçasse sobre a vida de um modo
mais quentinho, apertadinho, tudo muito –inho. Mas não quero ficar sentada a
ver os versos passar e desgrenhar-me por não ter sido diferente, A diferente.
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