quinta-feira, 9 de fevereiro de 2012

Cruz soldada no peito


            O sonho terminou em negação! O amor creio que não.
            Que planos imensos tinha eu, estupefacta, em construção mental? Era uma questão de tempo, o tempo que cura (dizem vós) marcas negras, fortes, dificilmente apagáveis. Se disser que a estrada desapareceu sem a tua presença fuzil? É como dar espaço à alma, em permanente esquecimento, sob noites em claro, amedrontadas, repletas de raios que me acendem a memória: avessamente estou. Encaro rigidamente a história de um com outro, que forma dois num só e assim sucessivamente. Apenas deste modo revirado, apertado, sem saída, claustrofóbico até, me atiro da rocha firme e hirta e me deponho contra a realidade futura, sem ti, num abismo dito mortífero. Assim será, não há como negar o destino imparcial em si, sem compaixão no outro. Profiro palavras tais sem o mínimo de noção possível no assunto de uma vida, e é como estar perdida em rodopios de escadas, em labirintos sombrios, que nos fazem chorar horas a fio. Não peço perdão, pois jamais me será atribuído, embora mereça num tempo reduzido, esquecido, devido ao amor sentido, tão pouco valorizado, ao qual os estalos fazem-me recuar e avançar sem destino provocado.
            Por onde vagueia a perfeição? Em Terra não se encontra, e é sádico – tentamos divagá-la sem argumentos de apresentação. Eu e tu, antepostos, seríamos um todo imperfeito, raiz a raiz, melhorando num ciclo que erra após um abraço quente, demonstração do sentimento voltado a favor das nuvens, agora, sim. Anteriormente ao capítulo final, víamos estrelas cadentes lembradas,  ondas apaixonantes, nuvens desapareciam, o cinzento não se atribuía e o Beijo era a chave - passe ao nosso reatamento.
            Não te acanhes! Desapareci como uma bola de fogo, incendiada ao ar livre.

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