quarta-feira, 9 de novembro de 2011

Sonhos mil


            Grito como se um dia, assediada pela máquina do tempo, corresse contra o relógio finito de sensações gordas de se fazer sentir. Faço-as esperar na ponte final, perdida, entre rochas abdicantes e tremendo de frio. Esta é a história de uma vida publicada ao vento, roncando pequenas porções de paciência, a que resta, no chão sujo, repleto de lama.
            Confesso que esta vida resume-se a meses acumulados, que inserir-se-iam, quem sabe, numa agenda crua e nua de desgostos, numa masmorra de sentimentos cinzentos, de lágrimas atormentadas pelas velas que tendem a incendiar um mundo de exaustão que denuncia as apunhaladas traições no peito, senão, uma relevante pressão arrebatadora do dito ‘normal’. Mas…se não o sou, porque tendo a fugir às barreiras amaldiçoadas, que jamais me deixaram ser feliz? Não tenho uma resposta objectiva, apenas continuo desorientada no tapete vermelho que me fugiu sem razão alguma debaixo dos meus pés, deixando de me fazer voar, longe do sofrimento inquietante e absurdo, das normas impossíveis que se fazem ansiar sobre causas contraditórias.
            Como liberto a melancólica ira do ir sem volta? Talvez vibrando ao recordar-te no crepúsculo da noite, na intensidade acrescida pela dor. Enquadro-me, neste momento numa agressiv’ocular, visão dos infernos, alusão ao fim de vida, ao poço de insegurança preocupante. Fragilizada permaneço, ofuscando um grito de perda constante, deslocada então, na vontade esgotada de sentir no passado audaz um rasgo profundo, inspirando pulsações repletas de íntegra saudade, e decapitando respirações ambíguas, torturadas na vastidão da loucura, proporcionadas pelo desrespeito magoado.
Instinto, o que de mim levas? Um corpo sepultado na eternidade d’um gemido de prazer. Oh! Porquê? Porquê eu? Erro substancialmente, no medroso pecado mortal, na vontade involuntária de trair a compaixão unida no nós, preenchido no sempre.
E, num adeus tumultuoso, encaminho-me no tédio sensitivo, na evasão desencantada, sem salvação partilhada…um sonho perdido, uma lágrima de ópio.

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