domingo, 13 de novembro de 2011

Basalto Negro


            Vontade de acabar com a vida, esta, que me sustenta um suspiro de angústia tardiamente concebida. Um mero peso morto, sou, um tormento sangrento, um poço negróide, de semelhança com o mal alheio, uns quantos adjectivos sucessores de tragédia, perante o que não se pretendia para quem amamos, ou dizemos amar. Se não to dou, orgulho, diria eu, então porque não mo dizes sem falinhas mansas, palavras que vão contra o despojamento das reais. Medo será a palavra indicada para que as pessoas não sejam francas umas com as outras – verdade dura e crua.
            Por momentos, vagueou-me pela mente, o verso triste, sensato, embora eficaz, de Raul Solnado: “ Façam o favor de serem felizes”. Compitam-se a fazerem-no. A qualquer instante, as sementes minhas, que plantaram sem um senão, terminarão sem qualquer razão. Amor pelo próximo, por quem supostamente daríamos a mísera vida que nos resta, é ir além do abstracto, é sentir nas veias o calor do sangue, do que é ser filha, namorada, amante, simplesmente amiga.
            Confrontar-me-ei posteriormente com soluções rápidas, tendo eu a querer que o seja de tal modo; a ser eu mesma, sempre, independentemente de obstruções, de consequências que dificultam a continuação de planos, que nos agradam a motivação, a esperteza íntegra, a magia lunática do querer sempre mais.
            Sou incontrolável, uma menina crescida entre árvores, gritando a liberdade de expressão, compaixão pelos sonhos brancos, cor ingenuidade – infantil – sensacionalista.
            Continuo aqui, entre ir, revoltar e recuar, tentando tatuar o amor e a felicidade, acima da discussão, baseada em assuntos que não matam a sede, não escondem a pobreza, os cadáveres, os acidentes, as guerras, as discórdias, as políticas vencidas. Amo o que não tenho, o sucesso…garantido! Facto é que, arregalo os olhos, como se por mim o mundo mudasse, como se o tempo voltasse ao meu quarto escuro de brincadeirinhas encantadas, às bonecas, com as quais falava em dupla voz; às danças, sonhando ser bailarina num passo de mágica; aos sorrisos, esplendores no seu auge, que tornavam os outros encapotados por me ver crescer num dia-a-dia de muita agitação, entre crianças, estudos, galhofa, namoricos, ginástica teatral, e felicidade. Mas, onde andas tu? Com os morcegos sanguessugas, que roubam o bem a quem precisa dele para inspirar ar puro, suspirar stress tedioso.
            Lamento não superar as expectativas de quem mas entregou em mãos um dia.
            Eu! Muda de sentidos, longe da perfeição.

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